Muitas pessoas chegam ao consultório com crise de ansiedade e a única coisa que elas querem é se livrar desse sintoma o mais rápido possível. Na verdade essa é a pior maneira de buscar a cura para ansiedade. O que as pessoas normalmente não entendem assim que procuram a terapia é que a ansiedade é uma coisa muito boa que aconteceu na vida delas. Qual não é a surpresa delas quando ao procurarem a minha ajuda ouvem isso.

– Ansiedade é  bom?

– Claro!

A primeira reação que elas provavelmente tem é ficar com muita raiva de mim. Ansiedade é um sintoma horrível. Muitas pessoas têm a sensação de quase morte. Aí elas  procuram ajuda e alguém que mal as conhece tem a coragem de dizer que ansiedade é uma coisa boa. Eu compreendo. Mas o início da cura passa por entender que ansiedade é um sinal. É um sinal de que você está perdido do seu caminho.

Todos temos o ego e o nosso verdadeiro eu ou self ou alma. Chame como preferir é a mesma coisa. Nossa alma tem uma forma própria de se comunicar, de se expressar. Quando nós nos perdermos dos propósitos de nossa alma, ou seja, dos nossos verdadeiros propósitos nós  podemos ter crise de ansiedade como um sinal.  Então a melhor forma de curar ansiedade é entender que por mais desagradável, horrível que seja o sintoma gerado por ela, na verdade nós somos sortudos de termos um aviso de que estamos nos perdendo do Nosso propósito.

Antes da crise acontecem vários sinais

Antes de termos uma Crise de ansiedade ou síndrome do pânico nós sentimos várias outras formas de sinalização de que nós estamos nos perdendo do Nosso propósito. Mas nós não costumamos atender a essas necessidades.

Os sinais todos nós conhecemos, eles são por exemplo:  aquela sensação de  ficar angustiado na noite de domingo porque segunda-feira está se aproximando e você vai ter que trabalhar, aquela outra sensação de você está em um local com pessoas, olhar ao redor e sentir que não tem nada a ver com aquele lugar ou até mesmo com aquela conversa, as sensações de confusão, insônia, distúrbios do apetite e até mesmo distúrbios do apetite sexual.

O nosso corpo informa varias vezes antes da grande crise que há algo errado. Nesse momento existe a oportunidade de fazermos uma avaliação de como nós estamos levando a nossa vida. É impossível ter mudanças no bem estar e na  saúde  fazendo as mesmas coisas que nos levaram a adoecer! É impossível curar, se nós não mudarmos a nossa rotina, as coisas que nós fazemos. É preciso verificar alimentação: excesso de cafeína ou outros estimulantes por exemplo devem ser cortados ou reduzidos ao máximo.

A respiração: uma respiração curta naturalmente vai levar a uma má oxigenação e consequente sensação de ansiedade. Atividades físicas que integrem respiração e movimento ajudam muito. Como Ioga, natação, Tai chi chuan. E a rotina: como você se sente no seu trabalho? Com sua família? Com seus amigos?

Na verdade, o desafio do terapeuta quando ele se propõe a ajudar uma pessoa na cura da ansiedade é que o cliente entenda isso. Muitos dizem que entendem, mas na verdade querem obter resultados diferentes fazendo as mesmas coisas, porque poucos tem coragem de mudar de fato.

Então quando uma pessoa chega a ter uma síndrome do pânico, uma crise ansiosa, não tem como contornar  pensando “vou tomar esse remédio que o psiquiatra passou, vou a psicóloga que vou melhorar para poder continuar fazendo as minhas coisas como sempre fiz.”  A síndrome do pânico  é um sinal, é um grito de mudança urgente.

Isso é, a pessoa precisa tem coragem de identificar o que deve ser mudado e mudar. A cura é  imediata. Sem medicação. Sem necessidade de anos de terapia. Basta identificar o que está gerando aquele sintoma e buscar uma forma de mudar a rotina, atendendo seu propósito. Parece Milagre não é?  Mas cura para ansiedade é simples.

O problema é que nós estamos organizados socialmente de forma que as pessoas vivem uma vida sem sentido. Às vezes estão num trabalho que não  tem  nada a ver com elas. Ou mantém relacionamentos que também não estão saudáveis ou não acrescentam mais nada em suas vidas.

Outra coisa importantíssima na cura e no tratamento da ansiedade é respirar bem. A meditação, por exemplo, é um remédio maravilhoso. Ioga, natação são atividades físicas que ajudam a respirar adequadamente. O terapeuta é de grande importância nessa caminhada, nessa busca interna, na descoberta  em relação ao que precisa mudar. Qual o desafio a ser enfrentado, qual a mudança a ser realizada. É  simples, não é fácil!

Exemplo de uma história real de tratamento para crise de ansiedade ou Síndrome do Pânico.

Esse tratamento foi feito com uma assistente social, ela completou 50 anos em agosto de 2016. Quando chegou apresentava depressão e síndrome do pânico.

Duas coisas foram identificadas em relação às necessidades de mudança dessa cliente.

A primeira questão que ela trouxe estava relacionada ao trabalho. Ela é  assistente social da rede pública de saúde,  foi designada para trabalhar numa região onde havia tiroteio ao redor e ela teve algumas experiências traumáticas  de participar de eventos no trabalho onde estava ocorrendo tiroteio e inclusive uma bala perdida quase a atingiu, pegando próximo da onde ela estava.

 A segunda estava relacionada ao casamento. Ela tinha um relacionamento bom com o marido, porém  eles eram mais  amigos do que propriamente um  casal. Ela não  entendia porque tinha muita estima por esse homem, amor mesmo! Mas não sentia por ele desejo sexual, isso era um problema.   Ela não queria magoá-lo.

Depois de identificadas essas duas questões, essa cliente corajosa tomou as providências necessárias, e muito rápido obteve melhora. Por que ao identificar as questões que foram trabalhadas uma por vez, teve coragem de tomar uma atitude de mudança.

A primeira foi se afastar do trabalho por licença médica. A outra  foi ter coragem de conversar com o marido sobre a relação deles, depois que percebeu que eram amigos e poderiam continuar se amando dessa outra forma não se sentia mais angustiada por não sentir desejo sexual por ele, estava tudo bem! E confesso que na minha vida de consultório, e lá se vão 22 anos,  nunca vi separação tão digna, respeitosa como a deles. Ele primeiro  veio traze-la como marido e depois ele veio traze-la como amiga e me agradecer por ter cuidado dela. Os dois estavam em paz e satisfeitos.

Ana Cristina Moreira
Contato: (21) 98341-2224
Psicóloga Clínica Gestaltista

DEIXE UMA RESPOSTA